Meus Cães – Parte IX

By | November 26, 2007

Atenção: Este é um post estilo “querido diário”. Continuação deste outro post

A matilha em casa já estava formada e eu cada vez mais empolgado com Rottweilers resolvi abrir um canil.

A idéia era trabalhar mais na parte de temperamento, procurando produzir filhotes equilibrados, seguros e com bom instinto de guarda. Isso sem esquecer da conformação esperada de um Rottweiler de qualidade.

Corri atrás e consegui o sufixo Gross Hund para o meu canil, mesmo sem ter ainda nenhuma previsão de quando ia começar a ter filhotes.

Levando-se em conta tudo o que eu queria para ter filhotes como descrito acima percebi que meu plantel (aka Hurd e Pipe) não iam dar conta. Cada um tem sua falha aqui e ali e a soma dos dois não necessariamente vai gerar aquilo que eu espero.

Pensando nisso e ainda mais empolgado com temperamento e adestramento comecei a ficar de olho em diversos canis pra ver se achava alguma ninhada que satisfizesse meus critérios. Procurei sem pressa nenhuma e olhando sempre com cuidado.

Comecei então a ter mais contato com o Pedro Jorge, dono do canil Fazenda Talismã e percebi que ele estava fazendo um bom trabalho. Investindo bem em matrizes importadas e usando padreadores de qualidade de outros canis. Eu estava gostando dos pedigrees e comecei a conversar com o Pedro com mais frequencia.

Quando ele me comentou de uma cruza específica que estava planejando, antes mesmo de acontecer eu falei que estava interessado em uma fêmea da ninhada e que gostaria da primeira escolha.

Conversa vai, conversa vem, o tempo foi passando e ele me confirmou que eu podia fazer a primeira escolha.

Ai eu me preparei bem. Peguei o método de seleção de filhote do Bernard Flinks e decidi que ia executá-lo rigorosamente procurando a melhor fêmea da ninhada.

O Pedro foi muito gente boa e colaborou totalmente, cedendo tempo e espaço pra eu fazer os testes do meu jeito e eu e a esposa passamos um bom tempo testando individualmente cada fêmea da ninhada.

O método do Bernard Flinks é para escolher cães de polícia. Ele mesmo disse durante o seminário dele que o cachorro com melhor pontuação não necessariamente era o mais indicado, pois teria um temperamento difícil (como é de se esperar de um cão de polícia). Ia ser um verdadeiro casca-grossa.

Não obstante eu escolhi a cachorrinha mais casca-grossa da ninhada, achando que eu já estava pronto pra enfrentar qualquer parada. A bichinha era tão casca-grossa que depois que eu escolhi a mãe do Pedro foi aplicar o microchip nela e tomou uma mordida de arrancar sangue. Ah, sim… a Dot (como futuramente viria a chamar) tinha 49 dias na época.

Mais precisamente ela era desse tamanho no dia:

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Ela ficou no canil até os 60 dias, mas infelizmente no dia de ir buscá-la eu tive que trabalhar, por isso a esposa pegou a criatura e filmou o primeiro contato dela com o Pingo. Deu pra perceber claramente o temperamento dela e que ia ser bem mais difícil de controlar do que os outros:

A monstrinha pegava pesado. Mordia com força, rosnava pra gente e pros outros cães, não aceitava bronca e nem ficar presa.

Como ela era muito menor do que os outro rottweilers eu decidi deixa-la dentro de casa e compramos uma cerquinha pra filhotes onde ela podia ficar com as coisas dela sem ser perturbada pelo Pingo e sem cagar pela casa inteira. Bom… essa era a idéia, porquê no primeiro dia ela descobriu como derrubar o treco e sair.

Na caixa de transporte, que usamos como casinha pra ela era impossível de fugir. Mas também era impossível da gente dormir. Ela berrava como se estivéssemos arrancando as unhas dela, batia na caixa e arranhava por mais de duas horas antes de pegar no sono. E a gente rolando na cama também sem conseguir dormir com o escândalo.

Isso sem contar que ela acordava na manhã seguinte às 05:00hrs BERRANDO pra gente levar ela no banheiro. Tocava eu levantar, colocar um casaco em cima do pijama e levar ela na rua (ela aprendeu a não fazer as necessidades dentro de casa) e depois voltar. Mas era impossível colocá-la na caixa de volta e muito menos deixá-la sozinha e voltar pro quarto. Eu tinha que dormir no sofá da sala, fazendo carinho nela ou com ela em cima da minha barriga até umas 07:00hrs quando a esposa acordava. Ai a Dot sossegava e dormia sozinha no pé do sofá.

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A parte boa é que ela ficava dentro de casa, então era 100% do tempo trabalhando obediência e me colocando como chefe da matilha, de forma que ela não quisesse assumir a liderança.

Por outro lado ela sempre foi muito agitada e envolvida com as coisas. Então quando ela queria ir no banheiro ela corria até a porta e dava uma patada de sacudir a casa. Só que ela sempre deixava pra avisar que queria ir no banheiro quando a situação já tava crítica, então começava a arranhar a porta desesperada e algumas vezes até fazia o xixi/cocô antes da gente conseguir abrir pra ela sair. E isso foi irritando a esposa.

Mas o ápice mesmo foi quando ela entrou no cio pela primeira vez. Monstrinha agitada que sempre foi no cio e sem querer usar as fraldinhas que a gente comprou. Foi uma sujeira só dentro de casa até que a esposa surtou e botou ela pro quintal.

É uma pena, porque eu gostava bastante dela dentro de casa. Apesar de ser o equivalente a criar um filhote de ogro ela sempre foi extremamente carinhosa.

É incrível como uma cachorrinha que morde por causa de agulha com 49 dias e arranca um teco da mão de uma adestradora com 3 meses pode ser tão dengosa e carinhosa com a gente. Ela nos olha sempre com uma caixa de dedicação e amor e nos dá imensas lambidas.

Dos três rottweilers ela é a mais obediente sem a menor sombra de dúvida. Mas note que obediência e educação não são a mesma coisa. É a mais mal-educada dos três e se tiver em uma situação que pode fazer uma coisa certa e duas coisas erradas ela vai fazer quatro coisas erradas. Mas basta eu falar uma palavra e ela obedece imediatamente.

Valeu o tempo que perdi escolhendo o filhote e o stress que ela me deu e as horas de sono que perdi. Com certeza vai ser a matriz principal do meu canil quando eu começar a criação.

CONTINUA NO PRÓXIMO (E ÚLTIMO) POST

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3 thoughts on “Meus Cães – Parte IX

  1. Julio Mauro

    sabe o que é isso ?

    Mulheres… todas iguais, só muda de nome endereço e raça 😀 😀

    Se acham as mandonas 😀

  2. Nane

    Ê,
    Estou muito ansiosa para saber o último capítulo da novela dos cachorros. Já tem previsão de data?
    Bjs,
    Nane

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