Eu recebi uma newsletter outro dia na qual o autor retomou o assunto das liberdades que buscamos. Não é um assunto novo para mim e tenho batido bastante nesta tecla, mas achei uma boa oportunidade para refrescar o assunto na minha mente e até escrever um post sobre isso.

No mundo corporativo, todo mundo fala, às vezes de maneira séria e outras vezes como piada, sobre liberdade financeira. A vontade geral que todos temos é, um dia, ter dinheiro suficiente para largar o trabalho das 9 às 5 (ou das 9 às 6?) e, ainda assim, poder nos sustentar.

Vamos chamar isso de Liberdade 1: Financeira.

O problema é que as pessoas mantêm isso apenas como um sonho ou como uma consequência esperada ao chegar à aposentadoria, e não como algo a ser intencionalmente planejado, perseguido e obtido. Nunca sai da imaginação.

Por outro lado, parte do problema é que as pessoas pensam em obter independência financeira sem considerar outras liberdades. Porque, mesmo que você tenha dinheiro suficiente para não precisar mais trabalhar, ainda pode existir uma série de outras coisas limitando sua liberdade.

Explico.

Liberdade 2: Movimento

Morar em uma grande cidade é muito caro. Imóvel é caro, impostos, serviços, supermercado. Tudo isso vai resultar em uma despesa mensal muito maior do que em uma cidade menor.

Mas, se, no seu caminho para a liberdade financeira, for preciso que você vá ao escritório em uma grande cidade, você está meio sem saída. Você ganha mais e, ao mesmo tempo, gasta mais.

Meu ponto aqui é a liberdade de movimento.

O trabalho remoto não só permite que você trabalhe de onde quiser. Como efeito colateral, ele também permite que você gaste menos se fizer boas escolhas de moradia.

E, mesmo antes da conquista da liberdade financeira, a liberdade de movimento já traz uma enorme melhora na qualidade de vida. Você pode ajustar sua presença física de acordo com a época do ano, eventos familiares, seu humor ou qualquer outro fator que preferir.

Mora no Canadá e é inverno? Com liberdade de movimento, você pode ir passar umas semanas (ou meses) em um destino tropical.

E isso é muito mais do que uma questão financeira. É poder decidir onde você quer estar sem que o seu trabalho determine isso por você.

Liberdade 3: Escolha

Fazer o que você quiser.

Acho que a minha esposa diria que essa é a minha liberdade favorita.

Ter um emprego remoto já é um salto significativo, mas que tal, em vez disso, trabalhar só no que você quiser, quando quiser e por quanto tempo quiser?

Eu vou dizer que tem dias em que eu sento na frente do computador e fico fascinado por algum problema ou sistema que estou desenvolvendo. Passo horas mal levantando da cadeira e posso trabalhar tranquilamente 10 ou 12 horas sem nem sentir.

Por outro lado, tem dias em que prefiro ficar lendo, assistindo à TV, tirando um cochilo no meio da tarde ou indo passear no shopping.

Isso é impossível em um trabalho normal, em que seu chefe e sua empresa exigem sua presença e atenção em horários específicos.

E é aqui que a liberdade de escolha vai além da liberdade financeira. Não se trata apenas de ter dinheiro suficiente para não trabalhar. Trata-se de ter autonomia para decidir o que fazer com o seu tempo.

Eu ainda tenho esperança de que o mundo corporativo vá mudar e reconhecer que o trabalho deve ser recompensado por resultados, não pelo número de horas de bunda na cadeira.

Liberdade 4: Expressão

Essa é básica para a humanidade, mas tem sido lentamente reprimida em boa parte do mundo.

E aqui não estou falando apenas de censura governamental. Estou falando também da pressão social, profissional e cultural que leva as pessoas a aprenderem a ficar caladas.

Eu não canso de criticar a esquerda por diversas razões, mas uma coisa que me deixa embasbacado é como é possível que, nas décadas de 60 e 70, setores importantes da esquerda fossem grandes defensores da liberdade de expressão e, hoje, uma parte significativa dela tenha se tornado tão intolerante com opiniões que considera inaceitáveis.

A ironia é que a liberdade de expressão só é realmente liberdade quando também protege o que você não quer ouvir.

Se você só pode expressar opiniões que não incomodem ninguém, isso não é liberdade de expressão.

Se você precisa se autocensurar, fingir que concorda com ideias e políticas absurdas ou simplesmente ficar calado para não ser demitido, cancelado, atacado nas redes sociais ou perseguido na vida real, você não é realmente livre para se expressar.

E existe uma diferença importante entre alguém ter o direito de discordar de você e você ter liberdade para falar.

Ninguém é obrigado a concordar com o que você diz. Ninguém é obrigado a gostar da sua opinião. Mas uma sociedade livre precisa ser capaz de tolerar opiniões ruins, estúpidas, ofensivas, controversas e até profundamente impopulares sem tentar silenciá-las.

Aliás, essa talvez seja a forma mais fácil de testar se realmente acreditamos na liberdade de expressão: quando alguém diz algo que consideramos absurdo, nossa primeira reação deveria ser responder e refutá-lo, não impedir que a pessoa fale.

Para mim, liberdade de expressão significa exatamente isso: poder dizer o que penso sem precisar, primeiro, descobrir se a minha opinião foi aprovada por algum comitê social, político ou corporativo.

E, enquanto eu precisar calcular as possíveis consequências profissionais e sociais de cada opinião que expresso, essa liberdade ainda estará incompleta.