Técnica Pomodoro

By | October 1, 2016

Não sei você, mas eu tenho sérios problemas lidando com dois tipos de atividades: coisas que eu não quero fazer e coisas que me deixam fascinado.

O primeiro problema eu tenho certeza que todo mundo sofre. Aquela tarefa – normalmente no trabalho – que a gente não tem a menor vontade nem de começar. Mas como não temos opção a gente vai lá e pensa: Tá… vamos fazer isso. Precisa ser resolvido hoje. Não saio daqui enquanto não terminar isso!

“Só vou rapidinho olhar o twitter…”. “Opa! Chegou email.”. “Pera, como era o nome daquela banda?”. “Qual será a temperatura média em Sydney durante a primavera?”

E quando você percebe já está fazendo mil outras coisas, se engajando em uma parte do trabalho que você tem mais interesse e aí o dia acaba. São duas sensações que podem ou não aparecer juntas: “Trabalhei pra caramba naquela tarefa” / “Não fiz nada de produtivo hoje”.

Pra piorar às vezes nosso cérebro registra que trabalhamos naquilo e essencialmente largamos mão da tarefa nos próximos dias. Até que ela volte à mente devido a um prazo estourando ou algo assim.

Meu outro problema é com coisas que me fascinam.

No livro “The Rise of Superman: Decoding the Science of Ultimate Human Performance” o autor dá o nome de “flow” para aquele estado mental em que você está tão focado e imerso em uma atividade que o tempo, o espaço e até as limitações físicas parecem ser alteradas.

Apesar do foco do livro ser em esportes radicais isso se aplica a muitas outras atividades. Eu sem dúvida entro frequentemente em flow quando estou programando ou mesmo trabalhando em ops.

Apesar disso ser excelente pra produtividade não é exatamente o ideal pra saúde. Já me peguei trabalhando por duas, três horas com a cara grudada no monitor, sem tomar um gole de água ou levantar pra ir no banheiro. Quando retomo minha consciência corporal percebo que estou com a garganta seca e um imenso incômodo por causa da bexiga cheia. Já perdi reuniões e até hora de ir embora do escritório de tão focado em alguma coisa.

Fora que ficar sentado horas e horas sem dar alguns passos, fazer um alongamento nas costas e nos braços não é nada bom pra gente.

Entra a técnica pomodoro

A idéia é ajustar seu relógio com um alarme para cerca de 20 minutos e durante esses minutos trabalhar com 100% de foco numa única atividade.

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O ponto aqui é que 20 minutos é um intervalo de tempo que é longo o suficiente para ser produtivo, mas curto suficiente para ser tolerável até para as atividades mais chatas. O estado mental é exatamente esse: “Não quero fazer essa atividade, mas precisa ser feita de qualquer jeito. Então vou gastar só 20 minutinhos pra dar uma adiantada no serviço e depois faço outras coisas.”

Nesses 20 minutos coloque seu celular no silencioso, feche todas as abas do browser que não estiver usando pro trabalho em si (ou o browser se não envolver Internet). Feche seu cliente de email e desabilite todas as notificações de desktop. Feche a porta do seu escritório e tire seu telefone fixo (quem ainda tem isso??) do gancho. Eu trabalho num escritório aberto, então coloco fones de ouvido e pronto. Isolado do mundo.

Para coisas que não quero fazer eu uso esses intervalos de 20 minutos umas duas ou três vezes espalhadas pelo dia até terminar a tarefa.

Meu outro uso – que ultimamente anda sendo o mais comum – é para coisas que eu gosto de fazer. Ficar imerso numa atividade é bom, mas como disse acima não é o ideal para seu bem-estar físico e no longo termo não vai ser bom pra sua carreira também. Além disso vira e mexe ficamos presos por muito tempo em uma parte  específica da atividade que não conseguimos resolver. Dar uma volta, tomar um café ou se distrair no reddit por alguns minutos pode ser o suficiente para seu cérebro achar uma solução enquanto a mente inconsciente toma conta do problema.

Nesse caso ando usando pomodoro assim: Configuro 4 intervalos de 20 minutos. São 5 minutos de descanso entre cada intervalo. Pra mim isso é tempo o suficiente de ir até o banheiro mais longe da minha mesa, no andar de baixo, subir de volta pela escada oposta e pegar um café ou uma água na cozinha. Às vezes ainda dou uma olhada rápida no Twitter.

Depois do último intervalo de 20 minutos entra um descanso de 15 minutos. Esse é o tempo de lidar com emails, interagir com pessoas via Twitter ou Hangouts, ler meus feeds, etc.

Vou dizer que quando estou empolgado com alguma coisa é meio difícil me forçar a levantar. Principalmente quando estou no meio de testar alguma coisa ou acabei de pensar numa solução pra um problema. Mas reparei que, mesmo me forçando a interromper o que estou fazendo, os 5 minutos de intervalo intencional não passam nem perto de ser tão disruptivo quanto quando alguém te interrompe sem ser convidado. Nessas últimas semanas não perdi o fio da meada nem uma vez fazendo essas pausas.

Talvez seja só impressão, mas eu acho que passando a régua eu acabo sendo mais produtivo no total da semana do que se não usasse pomodoro. É fácil chegar num ponto de exaustão mental depois de várias horas concentrado num problema que o resto do dia é totalmente perdido. Esses intervalos de descanso dão uma aliviada e permitem mais horas totais de produtividade.

A conclusão é que, se você tem uma coisa muito chata ou muito legal pra fazer, experimente a técnica pomodoro por algumas semanas. Talvez funcione para você também.

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One thought on “Técnica Pomodoro

  1. E. Coelho

    Gostei da ideia, vou tentar colocar em prática.

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