Desde que me conheço por gente, não acredito em políticos brasileiros. Eu nunca votei em ninguém no Brasil. Sempre anulei meus votos. E depois que mudei de país, ficou ainda mais fácil. Eu só justifico e dane-se.

Eu sempre fui um pouco radical em como entendo o voto: se um candidato apresenta valores, ideias e princípios iguais aos meus, é honesto e não se mistura com gentalha, merece o meu voto. Se não atender a todos os requisitos, prefiro não votar em ninguém. Sempre fui contra a ideia de “votar no menos pior”.

Quando virei cidadão no Canadá, mantive a mesma atitude. Não votei em ninguém. Pelo menos até a última eleição. Ao ver como o Partido Liberal, a esquerda canadense, estava destruindo o país, acabei saindo da minha inércia e procurando um candidato para votar. Mas como o Canadá é parlamentarista e as eleições funcionam de maneira bem diferente, não dá para traçar paralelos. Apenas trouxe o fato à tona para explicar o que me tirou de um estado de apatia e me tornou praticamente um militante.

Continuo sendo muito contra votar no menos pior. Eu vi uma entrevista com o candidato a presidente Romeu Zema, em que ele disse que votaria até num copo de água contra o PT. Concordo que um copo de água, um peso de papel ou até um grampeador seria melhor do que mais quatro anos de PT, mas, de forma alguma, o Flávio Bolsonaro teria o meu voto.

Entre Lula e Flávio, voto nulo sem pensar duas vezes.

Qual a diferença entre um corrupto de direita e um corrupto de esquerda?

Estando fora do Brasil há quase 20 anos, eu não acompanhei a política por lá. Visitei o Brasil pouquíssimas vezes desde 2007 e, intencionalmente, não acompanhei nenhuma notícia. Eleições, Lula, Dilma, Jair Bolsonaro, mensalão, tentativa de golpe… Tudo o que fiquei sabendo foi só muito depois de já ter acontecido. E demonstrei bem pouco interesse quando ouvi a respeito também.

Mas, como disse, o desastre que a esquerda causou no Canadá me fez engajar mais na política, de modo geral. E, por circunstâncias da vida, tive a oportunidade de passar cinco meses no Brasil, a trabalho, no ano passado. Isso gerou um interesse renovado pela política por lá.

Estou acompanhando de perto as eleições para presidente e ando com sentimentos bem mistos.

Os primeiros são os de sempre: tristeza, apatia e rancor. Talvez ainda mais fortes desta vez.

Os dois candidatos mais prováveis de chegar ao segundo turno são Lula e Bolsonaro. Os dois enfiados até o nariz em todo tipo de corrupção e escândalo. Da Lava Jato ao Banco Master.

Desculpe o palavrão, mas puta que pariu. Sério mesmo?

Dos petistas não espero muito. Eles vão votar no PT. É um bando de gente estúpida, sem o menor senso crítico. Não existe pensamento, análise, avaliação. Nada.

“Voto no PT porque sempre votei no PT.”

Mas parece que, do lado da direita, surgiu um movimento quase idólatra em torno da família Bolsonaro. Praticamente tão miolo-moles quanto os petistas.

E, até o momento, me parece que esses dois grupos estão prestes a decidir, juntos, quem será o próximo presidente do Brasil.

Mas espere! Isso não é tudo!

A situação é tão ridiculamente confortável para esses dois candidatos que eles nem sequer participam de debates e sabatinas. E adivinha? Ninguém vê nada de problemático nisso. Pesquisa atrás de pesquisa continua mostrando esses dois candidatos indo para o segundo turno.

Por outro lado, há outro sentimento.

Nesse momento, pequeno, mas sei lá… É esperança.

Cada vez que assisto a uma sabatina, debate ou entrevista com Renan Santos, penso:

“Eu voto nesse cara!”

Caramba. Que cara sensato, direto e cheio de ótimas ideias. Realista e com uma visão de 30 anos para o Brasil, onde ele amarra tudo na frase “O Futuro é Glorioso”.

Não vou dizer que não votaria no Romeu Zema ou até no Ronaldo Caiado. Se qualquer um desses dois fosse para o segundo turno contra o Lula, ganharia meu voto.

Aliás, vi um excelente post no X outro dia em que alguém dizia que, se o Brasil fosse um país sério, o segundo turno seria Renan vs. Zema.

Mas, voltando à esperança.

Quem vota no PT não tem conserto. E as pessoas que idolatram o Bolsonaro também não vão mudar de voto.

Mas existe uma quantidade enorme de gente que só vai votar no Flávio porque está cansada do PT. Gente que, até agora, acha que a única opção é automaticamente o Flávio.

Pior: há uma enorme campanha de desinformação dizendo que, se você não votar no Flávio, está basicamente votando no Lula.

O argumento é que nenhum outro candidato tem condições de ganhar do Lula e, portanto, se você votar em alguém que não pode ganhar do Lula, o Lula vai ganhar.

Gente: para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa ter mais de 50% dos votos!

O Lula está em torno de 42–43% nas pesquisas. De forma alguma ele ganha no primeiro turno!

É justamente aqui que eu acho que muita gente está cometendo um erro.

O primeiro turno não precisa ser um voto defensivo. Você não precisa escolher automaticamente o candidato que, na sua cabeça, tem a maior chance de derrotar o Lula.

Você pode votar em quem realmente gostaria de ver presidente.

A minha sugestão é que você pesquise e conheça melhor o Renan Santos e suas propostas. Eu gostaria de vê-lo no segundo turno.

Mas, se não gostar dele, vote no Zema, no Caiado ou até no Cury.

Mas não se sinta obrigado a votar no Flávio no primeiro turno!

Primeiro turno é para escolher.

Se realmente o segundo turno acabar indo o Flávio, faça o que sua consciência mandar. Mas, no primeiro turno, vote em quem quiser.

Sou realista e sei que a chance de um futuro glorioso para o Brasil é próxima de zero.

Mas este post é minha humilde tentativa de melhorar as possibilidades pelo menos um pouco.