Meus Cães – Parte II

By | November 18, 2007

Atenção: Este é um post estilo “querido diário”. Continuação deste outro post.

Demoraram muito anos, muitos livros e muita argumentação, mas convenci meus pais a termos um cachorro de novo. E ai começou a nova briga. Eu não queria um poodle, cocker spaniel ou lhasa apso. Queria um Pastor Alemão. Justo um Pastor Alemão, que por algum motivo lá em casa foi julgado como um animal violento, bruto e impróprio para crianças.

Não sei quanto tempo mais demorou e quantos outros livros sobre Pastor Alemão eu li, mas finalmente um dia meu pai abriu o jornal de domingo, viu um anúncio de uma ninhada, levantou e falou: Vamos lá comprar um cachorro. Acho que foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Chegando lá os criadores buscaram os filhotes e antes mesmo deles chegarem perto da gente eu já tinha escolhido: Um machinho lindo que já estava com as orelhas eretas (caso você não saiba os filhotes de Pastor Alemão nascem com as orelhas caídas e conforme a cartilagem endurece elas vão erguendo). Rex do Sancesario era o nome dele, mas eu já tinha escolhido como ele ia chamar: Lobo.

O Lobo foi meu grande amigo durante a infância. Um cachorro esperto e MUUUITO paciente comigo, minha irmã, minhas primas com diversos coleguinhas de escolha que vinham em casa.

Mas outra vez um problema: Ninguém na casa sabia nada sobre cães. A única literatura que eu tinha era um livro do Bruno Tausz chamado “Adestramento sem castigo”. Mas nem mesmo o Bruno hoje em dia concorda com o que ele escreveu naquele livro. Utilizava aqueles métodos arcaicos de forçamento para ensinar as coisas para o cão. E como podem imaginar um pivete não tem força para forçar um Pastor Alemão a fazer nada.

Apesar de ser um cachorro maravilhoso como compainha, o Lobo virou um problema. Como ele não era adestrado ele puxava na guia. Eu não conseguia segurá-lo. Nem minha mãe. Meu pai não tinha paciência pra sair com ele. Então ele quase não saia. Quando ele saia ele ficava extremamente ansioso. E ai puxava ainda mais a guia… Virou um círculo vicioso.

Pra piorar ele pulava nas pessoas. Não tem nada mais desagradável do que um cachorro que pula nas pessoas o tempo todo. Ainda mais quando as pessoas estão indo trabalhar, chegando em casa ou quando choveu e o cachorro está molhado.

Desta vez ao invés de doar o Lobo a decisão foi de contratar um adestrador. A idéia foi excelente, mas como acontece até hoje o adestrador utilizava métodos antiquados, do mesmo estilo que o livro que citei antes. Além disso também era o tipo de adestrador que passava em casa de manhã, levava o cachorro pra adestrar e voltava à tarde para devolvê-lo.

Mais para frente, em outro post, falarei sobre adestramento e comportamento canino.

Obviamente o adestramento não estava funcionando, mas sendo eu um pentelho curioso de marca maior, convenci meus pais e os adestradores a acompanhar os treinos durante as minhas férias. Então de manhã o adestrador passava em casa logo cedo(normalmente era a primeira casa onde ele parava) e embarcávamos eu e o Lobo para um divertido dia no parque, treinando.

Eu adorava os dias de adestramento. O adestrador, o ajudante e eu na frente de uma Kombi lotada de cachorros. Não lembro se o adestrador tinha alguma ligação com o clube do Pastor Alemão, mas pelo menos 80% dos cães eram dessa raça. Os outros 20% eram dobermans e rottweilers. Me lembro de vez ou outra um cachorro diferente na Kombi, mas não eram “alunos regulares”.

O adestramento acontecia no famoso “Portão 5” do Parque do Ibirapuera, onde tinha um espaço cercado especialmente para a Sociedade Paulista do Cão Pastor Alemão.

Ao chegarmos lá eu descia rápido da Kombi e já me preparava para levar a minha cota de cães. Eu sempre ganhava uns 3 ou 4 para levar da entrada do parque até o cercado. Eu fico imaginando a cara das pessoas quando viam um pivete de uns 10 ou 11 anos levando 4 pastores alemães enormes pela guia. Ou melhor, quando viam 4 pastores alemães levando um pivete pela guia. 🙂

Não sei se era porque o Lobo realmente não estava tendo o adestramento adequado, se ele não me respeitava ou qualquer outro motivo além do meu entendimento, mas quando começava o adestramento o adestrador me deixava só um pouco com o Lobo, normalmente sem muito progresso e depois pegava ele mesmo para treiná-lo. Como tinham muitos cães para ser treinados, cada um tinha apenas alguns minutos de atenção e depois disso ficava preso de novo. Então depois que o Lobo era treinado eu ficava meio sem ter o que fazer. Acho que enchi tanto o saco do adestrador que depois de alguns dias eu já estava treinando outro cães além do Lobo e tinha virado praticamente um adestrador-mirim.

O resultado disso foi que o Lobo continuou sendo um péssimo cachorro em casa, mas eu estava cada vez mais apaixonado por cães.

Algumas vezes o adestrador vinha em casa fazer aula particular, quando pegávamos o Lobo e saíamos para uma volta no quarteirão. Eu não achava muito divertido esse tipo de aula, porquê nunca gostei dos meus vizinhos e seus cachorrinhos-pentelhos-latidores que ficavam no portão. E nem o Lobo. E ai era stress toda vez e nem o adestrador dava jeito. Além disso eu gostava de contato com outros cães.

CONTINUA EM AQUI.

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