Faça o que tem que ser feito

Acabo de ler “Please, don’t just do what I tell you! Do what needs to be done” e recomendo.

Como profissional eu sempre tento ser pró-ativo, procuro me envolver em projetos complicados que ninguém tem interesse e procuro dar o máximo de mim em todas as situações. Até o momento tenho sido bem sucedido com essa abordagem, mas pela primeira vez achei um livro que reflete exatamente como me comporto. E aparentemente estou no caminho certo.

Não sei a experiência de vocês, mas algo que me incomoda muito é ver uma coisa sendo feita de um jeito defeituoso, complicado,  caro, complexo ou demorado demais só porque sempre foi feito daquela forma. E ninguém nunca toma a iniciativa de resolver aquele problema.

Ah, meu amigo… Na minha mão essas coisas não duram não.

Eu gosto muito de aprender pelo exemplo dos outros e caso alguém ai também goste vão aqui dois exemplos de coisas simples que eu fiz no  passado que fizeram uma imensa diferença profissional no futuro.

A primeira foi num banco onde trabalhei. No meu segundo dia lá o sujeito que eu estava substituindo apareceu para assinar uns papéis no RH e veio conversar comigo. Falou que o principal sistema do banco (Java-based) rodava em um servidor lá num canto do CPD e que ele caia pelo menos 2 vezes por dia. Minha principal responsabilidade na empresa seria ficar de ouvido e assim que alguém gritar que o sistema caiu sair correndo, entrar na sala dos servidores e rodar uma série de uns 10 comandos no shell para restaurar o sistema.

Dito e feito, naquele mesmo dia antes do final do expediente caiu o maldito e toca eu correr pra arrumar. Eu nem sabia o que estava fazendo, só sei que tinha uma série de comandos a serem executados. Mas ali mesmo já fiz uma melhoria. O cara digitava todos os comandos, demorando uns 2 ou 3 minutos para recuperar o sistema. Eu comecei só apertando flecha pra cima e usando o history. Já abaixei pra um minuto, mas ainda não tinha idéia do que rolava. Nem sabia que raios era aquilo.

Depois de um mês mais ou menos de casa (e muitas corridas minhas e dos meus colegas pra dentro do CPD) eu comecei a entender. A aplicação feita em Java rodava em um container proprietário. Um container que o banco pagou uma fortuna para ter. E era uma versão com uns 4 ou 5 anos de idade, cheio de bug.

Comecei a fazer amizade com o pessoal de desenvolvimento e descobri que como ambiente de desenvolvimento cada um rodava uma instância de Tomcat no seu próprio desktop e que nenhum deles tinha os problemas que apareciam em produção.

Lógico que cheguei pro meu chefe e sugeri migrar para Tomcat. E lógico que a resposta foi não.

Bom… ai entrei no modo black-ops e sorrateiramente instalei o Tomcat no servidor, mas numa porta alternativa e deixei rodando, sem ninguém acessando, por uns 2 ou 3 dias. Depois conversei com uns usuários que trabalhavam no meu andar e alterei o bookmark deles para acessar a minha instância do Tomcat por padrão ao invés do default. E eles rodaram felizes e sem quedas por mais de semana.

Nisso eu já me preparei, arrumei uns scripts num canto e numa segunda-feira assim que o sistema default caiu eu subi o Tomcat no lugar dele. Sem dó nem piedade.

Ao invés de cair 2 vezes por dia o sistema passou a cair só 2 vezes por semana. Rodando mais rápido e bem mais confiável. E eu quieto.

Com quase um mês com a coisa rodando eu chego pro meu chefe e falo: Reparou que o sistema parou de cair? Viu como está mais rápido? (Alguns usuários tinham até elogiado). Pois é. Instalei o Tomcat.

Fui elogiado e reconhecido apesar de ter desobedecido ordens pois resolvi um problema enorme da empresa sem nenhum custo e excelente resultado. Fiz o que precisava ser feito no melhor interesse da empresa e de mim mesmo, afinal não sou bombeiro para sair apagando incêndio.

Quase um ano depois acabei também descobrindo porque raios o sistema ainda caia uma ou duas vezes por semana: O servidor era um hardware RISC cuja última versão de Java disponível era 1.3 e os programadores estavam desenvolvendo o sistema em Java 1.4. Quando algumas rotinas eram chamadas elas simplesmente abendavam o container. (Não lembro ao certo os números das versões, mas era algo assim).

A segunda história foi quando eu trabalhava no meu primeiro emprego numa mega-empresa sendo recurso dedicado para um cliente que era outra mega-empresa.

Nosso time de brasileiros foi contratado para substituir um time de americanos. A gente custava menos de 1/4 do que eles custavam então rolou um outsource.

Parte de nossas atividades era uma vez por mês fazer um relatório de capacity planning para as localidades pelas quais éramos responsáveis e apresentar para os administradores dessas localidades.

Para fazer isso tínhamos uma planilha excel onde importávamos gráficos do Orion de cada localidade. Eram uns 4 ou 6 gráficos para cada localidade, umas 20 ou mais localidades para cada um dos 10 membros do time.  Eram umas 4 horas de trabalho gerar a planilha. Um total de 40 horas-homem cada mês só pra preparar o relatório.

Depois de uns 3 ou 4 meses fazendo esse treco eu cansei. Trabalho duro e chato demais. Não é possível que não tivesse um forma melhor de fazer aquilo.

Gastei então 2 dias inteiros (16 horas/homem) aprendendo como fazer macros em Excel e fiz um script que era capaz de gerar todos os gráficos sozinho, conectando no Orion e puxando o que fosse necessário. Arrumando fontes, cores, tudo do jeito que o povo estava acostumado.

Joguei na mão do meu time e todo mundo adorou. Criar o report então passou a ser uma atividade de 15 minutos (2.5 horas-homem/mês).

Isso, juntamente com outras inovações que o time trouxe em relação ao que os americanos faziam, nos renderam um prêmio e mais tarde eu consegui ser transferido para um outro departamento para onde eu sempre quis ir, exclusivamente dedicado a projetos.

Em nenhum dos dois casos ninguém me pediu para fazer nada. Não fazia parte das minhas atividades normais e, potencialmente poderiam até me prejudicar (quem sabe demitido no primeiro por desobedecer o chefe ou despedido no segundo por não ser mais necessário).

Eu já trabalhei com pessoas que pensam que não devem automatizar procedimentos pois não poderão mais justificar sua presença “se não tiverem o que fazer”. Outras não criam documentação nem procedimentos na esperança de se tornarem insubstituíveis.

Na minha humilde opinião qualquer trabalho que possa ser automatizado não vale a pena ser feito manualmente logo de cara. Se seu trabalho constitui-se apenas de coisas de um script poderia fazer melhor e mais rápido do que você faz seria uma boa idéia começar a procurar um novo emprego. Eu já fiz isso e não me arrependi. Automatizei todas as minha tarefas e pedi demissão. Todo mundo ficou feliz. Meu ex-chefe e eu.

E no segundo caso comento duas coisas:

  • Ninguém é insubstituível.
  • Quem é quase insubstituível é 100% impromovível.

Se você não tem uma atitude profissional do tipo “faça o que tem que ser feito” leia o livro e pense na sua carreira.

Related posts

Boas influências

ATENÇÃO: Longo post no estilo “meu diário” abaixo. Continue a leitura por conta e risco. Caso contrário tem uma saída rápida por aqui.

O terror de todo pai e mãe é que seus filhos arranjem aqueles amigos que são uma má influência. Fumar, beber, usar drogas, entrar pra vida do crime, torcer pro corinthians… Vai saber no que seus filhos podem acabar metidos.

Felizmente para mim (e para meus pais ) eu nunca tive desses amigos de má influência. Talvez principalmente porque quase todos os meus amigos fossem da mesma igreja que eu, criados com certos valores morais “default”. **

Talvez também porque freqüentei a mesma escola do jardim à 8.a série, onde eu era vítima de bullying desde que me lembro, de forma que odiava os boyzinhos populares que usavam calça rasgada, fumavam, falavam palavrão e me batiam no recreio. Não só eles como os valores deles, de forma que usar calça rasgada (ou qualquer outra coisa da moda), fumar e falar palavrão nunca foram coisas que me atraíssem.

Talvez porque em conseqüência do parágrafo anterior eu tenha feito só amigos nerds, onde a gente competia um com o outro pra ver que tirava a melhor nota, quem terminava a prova primeiro, quem tinha as melhores redações. Lembro de na terceira série no meio da prova cutuquei meu amigo Marco para perguntar em que pergunta ele estava. Eu não estava disposto a terminar a prova depois dele. Mas a professora achou que eu estava pedindo cola e me deu uma bronca animal. Pelo menos não tirou minha prova.

O que importa é que eu cheguei no colegial praticamente sem influência nenhuma de ninguém. Nem pra bom nem pra mau. E hoje eu estava pensando de como dei sorte de conseguir (poucos) bons amigos que me influenciaram muito bem, de um jeito ou de outro.

Continue reading ‘Boas influências’

Related posts

E eu estava certo

YES! Como é bom estar certo (pra variar um pouco).

Em Novembro de 2008 eu fiz esse post aqui sobre a criptografia dos discos do Daniel Dantas e disse:

“4-) [Eu acho que esse vai acontecer]: A NSA aceita o desafio, dá uma olhada no abacaxi e fala – tipo um mineiro com um fio de palha nos beiços: É. Vai dar não senhor.”

Bom… dito e feito.

Related posts

E no Brasil? Tem muito macaco?

Já ouviram aquela história de que brasileiro tem síndrome de vira-latas? Pois é… a gente fica todo ofendido quando acha que um gringo está fazendo pouco-caso da gente ou dando a entender que moramos numa selva. Quem tem/teve oportunidade de trabalhar com gringos sabe que mais cedo ou mais tarde vem a pergunta: E no Brasil? Tem muito macaco?

Pronto! Cutucou o brasileiro, que de repente vira o maior patriota.

Deixa eu contar uma coisa pra vocês aqui: Estava vindo pro serviço essa manhã, ouvindo as notícias como sempre, e avisam: Aumentem a atenção ao andar na mata e na região rural pois diversos ursos estão sendo avistados nos últimos dias.

Caracas… ursos! Mas ai eu lembrei que na semana passada estávamos vindo na estrada onde eu moro logo cedo e um veado cruzou a pista, quase pegando um motoqueiro.

E pelo menos duas vezes por semana em algum lugar do nosso trajeto tem um guaxinim morto atropelado na beira da estrada.

Sem contar que lá em casa é normal aparecerem esquilos, coelhos, muitos tipos de pássaros (inclusive patos no lago da casa antiga), sapos e até cobras. Nunca cheguei a ver, mas no inverno depois de algumas nevascas dava pra ver na neve pegadas de alces.

Recentemente o governo também instituiu uma recompensa de $20,00 por coiote abatido já que a população deles cresceu demais e eles estão cada vez mais próximos de áreas residenciais.

A diversidade e a quantidade de animais por aqui é enorme e qualquer canadense vai ficar mais do que feliz de contar sobre aquela vez que deu de cara com um urso, ou que um coiote matou o gato da vizinha ou como quase tomou perda total no carro ao atropelar um veado (Caso do meu chefe. Sendo ele o dono do carro e não o veado).

Então agora quando me perguntam se tem macaco no Brasil ao invés de uma síndrome de vira-lata na verdade me bate é uma vergonha nacional. A resposta ao invés de “Não, eu não morava numa selva” virou “Não, nós destruímos nossa natureza”.

Related posts

Home Office

Home Office pra geek é mais do que aquele espaço onde as pessoas vão de vez em quando para pegar algum documento do carro ou verificar os emails pessoais quando estão em casa. É lá que passamos horas a fio entretidos em nossas pesquisas, testes, laboratórios, lendo documentação, fazendo freelas, navegando na internet e bem… sendo nerds.

IMHO um bom home office precisa de Internet banda larga, uma rede local sua workstation de trabalho e um servidor de testes e um bom tanto de storage.

Pensando nisso hoje lembrei do meu primeiro home office, quando ainda morava em São Bernardo (circa 2004):

  • Speed 256K
  • Hub 10Mb/s
  • Workstation Atlhon 900Mhz/512RAM/80GB (era também o firewall/router)
    • SuSE (??)
  • Server test Atlhon 750Mhz/512 RAM/40GB
    • Debian
    • Kurumin

E a cara dele era assim:

Hoje, meu home office tem:

  • Internet à cabo de 15Mb/s
  • Firewall / Router / Wifi (ddwrt)
  • Switch 100Mb/s
  • Workstation AMD Athlon(tm) 64 X2 / 2GB RAM / 1.3TB
    • Ubuntu
  • Múltiplos servidores de teste virtualizados (três hurras para virtualização)
    • Debian
    • CentOS
    • Fedora
    • ArchLinux
    • Ubuntu

Mas em compensação ele é assim:

Pois é… nem tudo na vida é upgrade. :(

Related posts

Canil novo

Segundo post seguido sobre cães. Melhor mudar o nome do blog, não? :-P

Mudamos para a casa nova já faz quase 2 meses agora e, lógico, trouxemos os cães. Pra quem é novo no blog tenho 4 cães que me acompanham desde o Brasil: 3 rottweilers e 1 vira-lata.

O vira-lata goza de privilégios elevados, incluindo o direito a dormir na nossa cama, mas os rotts são… como direi… ogros demais pra viver dentro de casa e ficam do lado de fora.

Na nossa primeira casa em Sumaré tínhamos apenas o Hurd e num corredor sem saída fizemos o canil. Não achei nenhuma foto desse canil pra postar aqui. :(

Na segunda casa também em Sumaré começamos com um canil só, pois tínhamos apenas o Hurd e mais tarde a Pipe. Se precisávamos prender os dois era apenas temporariamente, pois o quintal era murado como é normal no Brasil.

Se eles precisavam ficar realmente separados ainda assim o canil era grande o suficiente pra eles ficarem bem.

O problema é que o chão de terra batida virava uma bela lama quando dava aquelas tempestades de verão e ficava só um cantinho seco pros bichinhos se deitarem. Além do que essa terra vermelha penetra nos pêlos e eles estavam sempre sujando a gente. Sempre tínhamos que manter uma “roupa de cuidar de cachorro”, que acabava manchada de terra vermelha.

Com o advento da chegada da Dot precisei ampliar o canil, já que ela e a Pipe não se dão bem, rolando umas brigas feias se deixadas soltas ao mesmo tempo. A ampliação foi simples e resolveu uma parte dos problemas, já que também cimentei o chão da parte mais antiga do canil.

Já na nossa primeira casa aqui no Canadá o serviço já estava meio feito. Moramos na área rural de Halifax e na casa já tinha um celeiro antigo que só precisou de uma cerca para virar o canil:

O ruim é que a casa sendo alugada não nos permitia fazer transformações mais drásticas, então usar a porta aberta foi a única opção. O único abrigo do vento eram as caixas de transporte que deixei dentro de cada sessão. Os rotts aguentam o inverno aqui da região (-20.oC) com tranquilidade, mas que dava dó mesmo assim, dava.

Sem contar  a inconveniência, pois não tinha luz no celeiro e eu tinha que ir de lanterna depois de escurecia (o que acontece 16:30 aqui no inverno).

Além disso como as casas não tem muros aqui no Canadá não tenho a possibilidade de deixar nenhum cão solto sozinho. Só sob supervisão e com muito menos freqüência do que estavam acostumados no Brasil. O que acabava sendo compensando pelo quintal enorme e o lago.

E de novo o problema com o chão: Era de cascalho e limpar os cocôs era horrível, pois enroscava tudo, eles pisavam e misturavam cocô com pedra e quando chovia ainda fazia aquela lameira. Na primavera então era horrível, pois a neve começa a derreter muito rápido e o solo não consegue absorver tudo, formando imensas poças de lama no canil. Vira e mexe eu tinha que tirar um dos cães de seu canil e deixar uns dias na edícula que tinha na frente da casa (abaixo) até melhorar a lama.

Então pra casa nova eu resolvi planejar: Queria um canil com espaço interno protegido do tempo, não precisando ser muito grande, mas o suficiente para ter a tigela de comida, o balde de água o cachorro deitado confortavelmente e protegido do vento. Água, e energia (para luz e aquecimento) também incluídos.

Do lado de fora 2 áreas cercadas separadas: Uma para cada cachorro individualmente com espaço o suficiente para fazer xixi/cocô e ainda sobrar para deitar bem esparramado no sol e até dar uma movimentada saudável nas pernas. Essa área precisaria ter um chão decente, fácil de limpar e sem prejudicar as articulações (como é o caso de piso frio).

Além dessa área menor uma outra grande cerca em volta disso tudo onde um ou dois cães poderiam ser soltos ao mesmo tempo, durante o dia, mesmo na nossa ausência. A idéia é permitir que eles se exercitem mais e arranjem distrações durante o dia por conta própria.

Depois de muitas pesquisas, tentativas e vai-e-vem acabei montando o canil utilizando um container. Aqueles de navio mesmo. Quem acompanha o blog a mais tempo deve lembrar deste post onde eu falava das múltiplas possibilidades de uso de um container.

Comprei um container 20”x8” (6mx2.5m aproximadamente) e na frente dele coloquei um deck de madeira também do mesmo tamanho. Do lado de dentro dividi 3 sessões de 4”x4” (1,2m x 1,2m) e do lado de fora 3 sessões de 4”x8” (1,2m x 2,5m), com aquelas dog-doors que permitem a passagem dos cães e protegem do tempo.

Providenciei porta e janelas, puxei energia até lá perto e voilá! Temos um canil.

Foto tirada durante a hora da janta, quando todos os cães estavam do lado de dentro.

Ainda não está completo, pois falta a cerca externa (reservei +/- 1000m2 pra isso), conectar a energia e instalar iluminação e aquecimento. A última parte não vou me preocupar agora, pois ainda estamos na primavera e não vou precisar disso até o final do outono, mas a cerca externa quero colocar o quanto antes.

Mais algumas fotos:

Pra quem tá pensando em montar um canil, as dog doors são da PetSafe e as cercas da Eastern Fence. O container achei no Winlie Group e o deck de madeira e as adaptações do container foram feitos por um excelente carpinteiro que conheci durante a construção da casa.

Related posts

Responsabilidade com nossos cães

Recebi uma notícia que me deixou chateado. A pessoa que comprou o Ajax me madou um email dizendo que estava passando por “grandes” mudanças na sua vida e não ia mais poder ficar com ele, que estava procurando alguém para adotá-lo.

Da forma mais educada que pude respondi pra ele perguntando se tinha certeza disso e se ele não estava tentando uma solução permanente por um problema temporário.Deixei claro pra ele que eu sei uma coisa ou duas sobre mudança radical de vida e que se eu tinha mudado para um país estrangeiro apenas com uma reserva de um quarto de hotel e sem casa, emprego, familiares ou conhecidos e ainda assim carregado 4 cachorros ele também poderia manter o Ajax.

Não conheço a situação da pessoa para saber se ele tem razão ou não, mas isso me fez pensar…

Eu fico realmente indignado como as pessoas dispõe de seus cães facilmente. “To mudando pra uma outra cidade. Preciso dar meu cachorro”. “To indo pra um apartamento, preciso dar meu cachorro”. “O sobrinho do vizinho do meu primo vai em casa 2 vezes por ano e ele tem alergia. Preciso dar meu cachorro”.

Amigão… se você tem ou pretende ter um cachorro saiba que esse bicho te venera e será seu escudeiro fiel por toda sua curta vida. Quando fizer seus planos de vida tenha certeza de inclui-lo neles! Cacete. Vai falar que só lembrou que tinha cachorro quando assinou o aluguel do apartamento novo e chegou na cláusula de proíbe animais? Ou então só lembrou que ia ter que levar o cachorro pra cidade vizinha a hora que o caminhão de mudança chegou e ele latiu no portão?

Aqui em casa mesmo temos alguns planos que já estão marcados para daqui uns 5 ou 6 anos, quando provavelmente já não teremos mais nossos rotts conosco (expectativa média de vida da raça é de 9 anos). Não vou fazer planos loucos que exijam nossa ausência prolongada ou constantes viagens sabendo que tenho meus cães aqui, como parece uma lógica muito simples de entender, mas um bom tanto de gente parece não conseguir.

E quem dispõe de seus cães por causa de vizinhos, amigos ou parentes então? Não comprei ainda, mas quero ver se acho um quadrinho bem brega pra colocar na porta de entrada da casa dizendo “Você é apenas uma visita. O cachorro MORA aqui.”. Acho que isso deixa claro o suficiente.

Reclamações à parte, se alguém aí quiser um rottweiler ele está um pouco mais de meio mundo (literamente) de distância do Brasil, mas é um excelente cachorro.

Related posts

Um mês sem TV

Quando nos mudamos para a casa nova um dos primeiros lugares que liguei foi a EastLink, nosso provedor de Internet, TV a cabo e telefone.

Acontece que como a casa é uma construção nova e nunca tinha tido nenhum desses serviços a EastLink me pediu uma semana só pra fazer um site survey e ver se seria possível instalar os serviços. Minha educação já está suficientente canadense para dizer OK e esperar a tal da uma semana.

Então ficamos eu e a esposa aqui na casa nova sem Internet, TV ou telefone contra nossa vontade. E como estava sem internet mesmo nem liguei o meu computador principal que é tambem servidor de arquivos onde tenho nossos filmes que acessamos pela AppleTV. Uma semana completamente offline… Vamos fazer o que da vida?

Bora ler, né? A esposa é uma leitora ávida, como podem ver aqui, e eu também gosto um bocado. Mas se posso sentar na frente da TV acabo sempre fazendo isso.

Por indicação da respectiva comecei então a ler “O caso dos dez negrinhos” (na verdade o original “And Then There Were None“). Não deu nem 5 dias de leitura e já foi na seqüencia mais um da Agatha Christe, Evil Under the Sun.

Nesse meio tempo a EastLink nos responde: OK! Podemos instalar seus serviços… Daqui a 2 semanas.

ZERO-DOIS! O Senhor está de brincadeirinha, senhor ZERO-DOIS? Duas SEMANAS pra instalar essa M* dessa Internet ZERO-DOIS?

Mandei a EastLink catar coquinho e liguei pra BellAliant. Mas já vi que ia sair mais caro e o lado muquirana gritou alto e pensei: Quer saber? Não vou pedir telefone. E nem TV. Dâne-se.

Continue reading ‘Um mês sem TV’

Related posts

E por falar em frase de efeito

Related posts

Eu já sabia.

Vi outro dia no twitter (não lembro quem): “A mentira tem pernas curtas. E barba e cabelho grisalhos. E lingua presa. E um dedinho a menos”.

E outra indicação disso hoje: Vá em http://www.google.com.br e procure a palavra mentiroso. Qual o primeiro resultado? Hehehehe…

Nem falo nada. Mentiroso

Related posts